Terças - das 21 às 23h com Valdemar Engroff e Luigi Cerbaro
Sábados - 8h30 às 10h30min com Valdemar Engroff

sábado, 8 de março de 2014

Atraso na criação da lei do Plano de Cultura de Porto Alegre / RS

conselhoculturaportoalegre A sociedade conclama pelo envio do Plano de Cultura de Porto Alegre para a Câmara, Já! Esta é a campanha que o Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre iniciou para dar visibilidade ao encaminhamento do Plano de Cultura que está retido na Secretaria Municipal de Cultura, há mais de três meses.

O conteúdo é um trabalho técnico realizado pela sociedade civil organizada e teve iniciativa do Ministério da Cultura devido à implantação do Sistema Nacional de Cultura que abrange a pactuação com os municípios para criação dos sistemas locais de cultura. Em razão da pactuação foram designados técnicos pela Secretaria de Cultura, em 2012, que fizeram uma capacitação junto à Universidade Federal da Bahia e ao MINC, assim trabalhando até final do mesmo ano. Dando continuidade ao trabalho a sociedade civil organizada representada pelo Conselho de Cultura, assumiu a elaboração finalizando o trabalho em 2013, quando o plano, depois da consulta pública durante a 9ª Conferência Municipal de Cultura e da validação deste Conselho foi entregue oficialmente ao Prefeito. Depois da análise do Executivo, o mesmo encaminhou o texto para a Secretaria de Cultura para que essa encaminhasse à Câmara, o que ainda não ocorreu.

Servirá como um documento orientador das políticas públicas de cultura da cidade. O plano é a base fundamental de execução para a constituição do tripé “CPF” (Conselho, Plano e Fundos de Incentivo à Cultura), o qual dará ao município de Porto Alegre acesso a mais recursos oriundos do Governo Federal. 

A produção do documento, desde o início, sempre foi um problema para a Secretaria Municipal de Cultura, a qual deveria apoiar dando subsídios para sua realização, segundo as orientações do Sistema Nacional de Cultura. O Plano de Porto Alegre deveria estar finalizado ainda no ano de 2012, mas devido a esta falta de apoio o documento foi finalizado em setembro de 2013 pela mobilização da sociedade civil organizada.

Sem a lei do Plano, o município deixa de obter recursos diretos, dos programas do Ministério da Cultura, bem como a realização de editais como os de Pontos de Cultura que é um dos editais mais solicitados pela sociedade.

É a primeira vez que Porto Alegre elabora seu plano de cultura, informação que retrata o caráter de gestões por eventos da Secretaria Municipal de Cultura, que não desenvolveram políticas públicas de cultura. O Plano de Cultura de Porto Alegre é um documento renovável conforme tempo a ser decidido e tem duração de 10 anos. Foi constituído com base em um diagnóstico da cultura da cidade e tem sua espinha dorsal nas mais de mil resoluções das 9 conferências de cultura ocorridas desde 1996 no município.

O Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre é uma entidade civil organizada, fundada, juntamente com o Sistema Municipal de Cultura da cidade pela Lei Complementar nº 399, de 14 de janeiro de 1997. Sua composição é de 85% por conselheiros representantes de toda a cidade e dos segmentos culturais que a constituem. Tem como funções propor, deliberar e fiscalizar as matérias de políticas públicas culturais do município. Sua atuação funcional é lado a lado com a atuação da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
Mais informações no blog do Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre: www.cmcpoa.blogspot.com.br

Agradecemos a compreensão e o apoio de todos, pois o plano é de toda a sociedade portoalegrense.

VIVENDO A CULTURA E TRANSFORMANDO A CIDADE.
Paulo Roberto Guimarães
Presidente – Gestão 2011-2014 -DOPA 21/10/2011

domingo, 2 de março de 2014

Momento da Cultura Regional 7! O que será dos grupos de fandango????

Estão tentando acabar com os grupos de fandango! E a culpa disso é nossa!!

Hoje muitos CTGs, que se gabam de serem Centros de Tradições, são meros incentivados da destruição dos grupos de fandango, em detrimento aos grupos “da moda”. Grupos que há pouco tempo esnobavam nossa cultura, a nossa pilcha, e agora estão aí se fantasiando de gaúchos, e o pior... os CTGs estão acreditando!!

Muitos deixam de contratar grupos autenticamente ligados a nossa tradição para contratarem grupos que num instante tocam maxixe e sertanejo (vestidos praticamente a vácuo), e horas depois estão em nossos galpões fantasiados... isso!! fantasiados! pois até hoje nunca assisti nenhum deles de fato pilchados!

E essa falácia de: “há espaço para todos”, é uma grande mentira! Nossos CTGs aos poucos estão conseguindo reerguer seus bailes, e é difícil fazer mais de 3 bailes bons em um ano inteiro. E quando fazem, ainda chamam para tocar “quem se fantasia no dia do baile”. Sem contar que muitos grupos estão se safando porque “importaram” vocalistas campeiros, para “dar um toque agauchado”. Na verdade ao meu ver são Bandas, porque quem toca bailão é banda, se não tocar música gaúcha.


Resultado??  O resultado é que em breve todos os CTGs irão se prejudicar com isso. Pois em breve iremos quebrar quase TODOS os grupos autênticos que procuram focar no gauchismo, este dispensando bailões em que o contratante diz: “Aqui vem sem pilcha, e toca uns sertanejos, não só música gaúcha”. 

E ATENÇÃO: quando novamente outra moda mais rentável $$ surgir, esses “fantasiados” nos abandonarão, como fizeram no passado, onde foi dada duas opções e optaram por largar os CTGs! Ou alguém aqui tem memória curta? 

Tenho muito orgulho em dizer que no meu CTG só toca grupo que de fato só toque música gaúcha. E os CTGs em que meu grupo ensina dança de salão gaúcha, também só contratam para as formaturas grupos nesta mesma linha. E DIGO:  fazemos ótimos bailes em todos estes 12 CTGs. Embora alguns patrões ainda nos assediem com os “tchês da vida” e não aceitamos, por um simples motivo: lotamos os bailes! Sem precisar apelar para “tchê” algum! E ainda pagamos um cachê muito mais justo. Se for para pagar caro, então queremos Serranos, Monarcas, João Luiz Correa, Quero-quero... Pois lotam,  são autênticos e não atraem maxixeiros para o nosso baile.

Tem muitos grupos bons que se arrastam por aí, tentando um baile por 1500,00, 2mil... Ou um pouco a mais... Na esperança que o CTG o escolha, e às vezes é escolhido (depois de muito choro pra baixar preço). E quando chega o rodeio, que muitas vezes tem bons cachês, quem é chamado??? Os fantasiados, cobrando 10mil, 20mil! Tem até dupla agora fazendo de conta que é gaúcha! Atraem público?? Claro que sim! Mas contrate então “A funkeira Anita”, não é gaúcha também, mas a desculpa de público pode ser a mesma! Para o seu “rodeio fantasiado que precisa de público”. Coloque um vestido de prenda nela, e “leve” fácil 20mil pessoas ao seu evento, ela, assim como os outros, não vai cantar música gaúcha mesmo.

Nossos grupos autênticos estão em apuros, e isso é porque nós gaúchos estamos deixando de valorizar aqueles que ficaram ao nosso lado, no tempo das vacas magras! Para valorizar aqueles que só voltaram porque o sertanejo universitário tomou conta dos bailões, e eles não sabem tocar isso. 

Uma vergonha grupos autênticos irem tocar fora do RS, por falta de quem pague o seu valor, enquanto “tchês maxixes” conseguem cachês até maiores dentro de CTGs do Rio Grande do Sul. Uma vergonha.

E digo mais, rodeios e festividades farroupilhas estão cheios de "tchês maxixe" deixando de lado também grandes cantores nativistas, que estes sim, estão bem cinhados na nossa autenticidade.

Fonte! Chasque de fundamento de autoria de Jeandro Garcia, publicado no sítio Blog do Léo Ribeiro. Abra as porteiras clicando em www.blogdoleioribeiro.blogspot.com.

Chasque utilizado no programa Gritos do Quero Quero, no "Momento da Cultura Regional" do dia 01 de março de 2014.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Momento da Cultura Regional 6! O maior evento gauchesco do mundo!

Terminado mais um Rodeio Internacional da Vacaria podemos concluir que a 30ª edição reafirmou a condição de "Maior Evento Gauchesco do Mundo" pois, outras grandes festividades do gênero, mesmo no Uruguai e na Argentina não tem o volume e a variedade de atrativos e competições artísticas e campeiras, como o de Vacaria.

Por estar trabalhando na avaliação de Declamadores Masculinos, onde ouvi mais de 150 recitadores, não tive muito tempo de valde para analisar outras categorias, mas sempre que pude dei uma volteada por lá. Embora recebendo convites de vários amigos, os quais agradeço, só não fui na área de acampamento, que sempre foi grande mas, agora, aumentou em 40%.

Cavalgadas com destino ao rodeio, foram mais de 30. Houve, inclusive, um campeonato de laço só para quem fez cavalgadas. Os laçadores dos Cavaleiros da Paz, que foi comandado pelo cantor Elton Saldanha logrou-se vencedor.

Em relação a parte campeira, onde, como já disse, pouco compareci, notei uma coisa: O tiro de laço realmente não é um atrativo para o grande público. Sempre que por lá estive, nas horas dos laçadores, as arquibancadas estavam praticamente vazias. É uma modalidade que envolve mais os próprios concorrentes e alguns familiares. Ao contrário, as domas são motivos de lotar as arquibancadas.

Deve-se reconhecer, entretanto, que o tiro de laço é o que sustenta qualquer rodeio e, em se tratando de laçadores, Vacaria bate verdadeiros recordes de inscrições. Na canha da ferradura, bem iluminada eles adentram a noite jogando cordas.
Nestas modalidades campeiras de doma e de laço as comissões enfrentaram alguns senões que foram da exclusão de laçadores por mau tratos aos animais até divisões de prêmios na doma devido a protestos de ginetes, fato que não agradou aos assistentes, inclusive sendo motivo de vaias. Até a justiça vacariana foi acionada para resolver algumas pendengas.

Quando digo que Vacaria realiza a maior festividade gauchesca do mundo é porque acoberta todos os gêneros, que vão do campeirismo ao artístico passando, por aí, a realização de um grande festival: Cante Uma Canção Em Vacaria, que nesta edição teve como vencedor uma canção de autoria de Dionísio Costa e Rico Basquera e que presta uma homenagem ao saudoso José Mendes, ao completar 40 anos de sua morte. Tive a honra de, num universo de mais de trezentas concorrentes, também ficar entre as seis primeiras classificadas, fato que agradeço ao Volnei Gomes e grupo por tão prestimosa ajuda.

Em relação aos espetáculos, foi um melhor do que o outro. Não assisti a todos, mas dos que vi destaco o grande show de Pedro Ortaça. Pude reparar que, ao lado de Gildinho dos Monarcas, este missioneiro é um dos artistas mais cativantes do Rio Grande pois sempre que o telão focava em Gildinho, o público ovacionava. Na apresentação de Pedro Ortaça, faltou espaço para a gente se mexer naquele imenso auditório ao ar livre, bem como pelas ruas laterais. Me falaram que o show de Cesar Oliveira, Rogério Melo e Joca martins, foi da mesma estirpe.

Na parte artística, a organização esteve muito boa. Como citei lá por riba, fui avaliador, ao lado da Silvana Giovanini e do Wilson Araújo, da Declamação Masculina, com mais de 150 concorrentes. Nunca ouvi tanta poesia em minha vida. Por isso, reafirmo que o Rio Grande do Sul é o Estado mais poético da federação. E o mesmo aconteceu em trova, pajada, chula, gaita, invernadas... Comida boa, pouso excelente, pagamento em dinheiro aos avaliadores e premiados, enfim, uma senhora festa gaúcha.

Como diria aquele apresentador que todos tem saudade "até 2016, gaúchos e gaúchas de todas as querências".


Fonte! Chasque de fundamento de autoria de Léo Ribeiro de Souza, publicado no seu sítio Blog do Léo Ribeiro. Abra as porteiras clicando em www.blogdoleioribeiro.blogspot.com
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Abordamos este tema no programa Gritos do Quero Quero do dia 15 de fevereiro de 2014, no "Momento da Cultura REgional". 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Momento da Cultura Regional 5! A Arte Declamatória no Rio Grande do Sul

Penso que esta seja a segunda vez que faço uma postagem com este mesmo título no blog. Na outra oportunidade fizemos um trabalho de pesquisa onde buscamos as origens da poesia regionalista, entidades poéticas, e um rol de mais de cem declamadores que se destacam. Hoje, vamos envolver mais a emoção oriunda do 30º Rodeio Internacional de Vacaria.
Durante três dias Liliana Cardoso Duarte, Silvana Giovanini, Silvana Andrade, Luis Afonso Ovalhe Torres, Wilson Araujo e Léo Ribeiro, acompanhados pelos músicos Volmir Dutra e Adão Quevedo, avaliaram mais de trezentos dos melhores declamadores do Estado.
Devo confessar que sai das Vacarias dos Pinhais impressionado, não só pelo número de inscritos num meio de semana (quarta, quinta e sexta), mas também pela qualidade dos concorrentes. É um melhor do que o outro. Isto tudo me leva a concluir que vivemos no Estado mais poético deste País. Se eu estiver enganado, que algum leitor de outra querência desta pátria verde-amarela me mostre o contrário.
Mas são tantos festivais, rodeios, entidades literárias, edições de livros, poetas, poetisas, declamadores, declamadoras, enfim, que me levam a fazer esta afirmativa: a de que vivemos no Estado mais ligado a poesia de todo o Brasil. Isto vem do apego a terra, àstradições, ao lirismo, a história deste Rio Grande velho.
Nestes três prazerosos dias lá pela Porteira do Rio Grande, convivendo e aprendendo muito com meus parceiros de júri, a simpática, campeoníssima, mestre em recitar um verso, Silvana Giovanini, bem como o não menos premiado, da velha cepa bugra da declamação, Wilson Araújo, hoje entre os quatro melhores destas plagas sulinas, pude analisar, além de todos os quesitos recomendados pelo MTG, quais os poetas mais lembrados pelos concorrentes.
Sim, porque além de nos brindar com lindas interpretações, o declamador também serve de garganta do poeta. É através do declamador que o verso sai dos livros para levar aos sete ventos a mensagem de seu criador, de seu vate.
Na categoria mirim, continua ainda em evidência o saudoso Dimas Costa.
Entre os juvenis e adultos, os poetas mais recitados foram Carlos Omar Vilella Gomes, Antônio Augusto Ferreira, Eron Vaz Matos, Guilherme Colares, Vaine Darde, Lauro Antônio Corrêa Simões e Colmar Duarte.
Nos mais veteranos, na categoria "Xiru", são muitos lembrados Apparício Silva Rillo e Jayme Caetano Braun.
Em princípio fiquei me perguntando como é que Rodrigo Bauer, que para o meu gosto (e o de muita gente), é um dos melhores poetas do Rio Grande, quase não é recitado?
A resposta é simples.
Os concorrentes buscam poemas longos, quase uns compêndios, para sua apresentação. Não se escuta mais um soneto, um poema curto, mesmo que de fundamento.
Rodrigo Bauer, que na maioria de seus escritos diz tudo em poucas palavras, incrivelmente não serve para concursos.
Mas isto é tema para uma outra postagem... O que realmente importa, neste momento, é agradecer por vivenciar tão importante momento que reafirmou, através da declamação, o valor da poesia gaúcha.
Para não estender-me demais finalizo dizendo que desci a serra de alma lavada e com mais vontade de trabalhar pelo poema regionalista de nosso Estado. Contem comigo, poetas, amadrinhadores e declamadores deste pago único em se tratando desta arte tão bela. 

Fonte! Este é a opinião embasada com  fortes argumentos por quem entende da arte: Léo Ribeiro de Souza, publicado no sítio Blog do Léo Ribeiro. Abra as porteiras clicando em www.blogdoleoribeiro.blogspot.com. Crédito do retrato: http://galpaodapoesiacrioula.blogspot.com.br/. 

Chasque utilizado no programa Gritos do Quero Quero do dia 15 de fevereiro, no "Momento da Cultura Regional".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Especiais Acácia com Nando Reis dia 14 de fevereiro

Locução, produção e apresentação, pelo âncora Sérgio Pires

Sintonize também na Internet. Abra as porteiras: www.acaciafm.com.br. 

Fonte da arte! Sérgio Pires.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Momento da Cultura Regional 4! - O Último dos Tropeiros - Rota Viamão - Sorocaba

Aos 100 anos de idade, Otávio dos Reis lembra com detalhes dos tempos em que percorria a tradicional rota Viamão-Sorocaba.
Ainda menino, Otávio dos Reis se encantou com o mundo tropeiro. A fazenda onde morava em Porto Amazonas, nos Campos Gerais, servia como pouso de tropas. Ver todos aqueles homens tomando chimarrão e conversando ao redor de mulas e cavalos mexia com a imaginação de Otávio.

A vontade era tanta que um tropeiro chamado Aparício tentou convencer o pai, Olímpio, a permitir que o garoto seguisse estrada afora. Mas ele era “muito menino” para isso. Aborrecido, Otávio pensou que seu sonho jamais se tornaria realidade. O desânimo foi tanto que seu pai chamou o tropeiro Afonso Antônio Ferreira, casado com uma das irmãs de Otávio, para conversar e permitiu que o filho viajasse com as tropas. Com apenas 14 anos, em 1928, ele deu os primeiros passos em um mundo tomado por muares (mulas), chimarrão, poncho e chapéu.

Hoje, centenário, Otávio é um dos últimos tropeiros vivos que percorreu a tradicional rota entre Viamão, no Rio Grande do Sul, e Sorocaba, no interior paulista. Ele foi o caçula da tropa que trouxe das terras gaúchas cerca de 600 muares para serem comercializados no estado paulista. Foram três meses de viagem em pleno inverno. “Não tinha levado muita roupa. O frio era muito forte. Durante as noites dormidas nos acampamentos, os demais faziam a cama em volta da minha para me aquecer.”

A primeira das cinco viagens que realizou de Viamão a Sorocaba foi inesquecível. Logo na primeira vez, recebeu a missão de ser o madrinheiro da tropa. Ele conduzia o cavalo que ia à frente com o cincerro (uma espécie de sino) batendo para orientar a tropa. “As mulas obedeciam ao barulho do sino e me seguiam.” A missão foi tão bem feita que nas outras empreitadas ele continuou no posto.

Propina e fim do ciclo

Ao longo das viagens, o único local fechado em que as tropas dormiam geralmente era uma fazenda em Ponta Grossa. Quando pernoitavam nos acampamentos era crucial manter um peão acordado. “Havia pontos em que os índios nos roubavam enquanto dormíamos. Tinha que manter um fogo alto e bem aceso”, recorda Otávio.

Em um dos pontos um “índio velho” cobrava 2 mil réis para deixar as tropas em paz. “Se a gente não pagava, ele dava um assobio alto e os demais já vinham nos amedrontar.” Para comer, levavam uma cumbuca cheia de paçoca – mistura de carne seca com farinha de mandioca. “Em outros pontos, a gente comia em fazendas. Mas tinha que pagar”, relata.

As tropas ficavam paradas em um mesmo local por 15 dias “porque as mulas não aguentavam”. “A gente também vendia mulas no meio do caminho, como em Ponta Grossa.”

Aos 21 anos, em 1935, Otávio fez sua quinta e última viagem como tropeiro. O comércio de muares em São Paulo já chegava ao fim. Mas como o rapaz parecia ter nascido em cima de um cavalo, continuou conduzindo bois para Mato Grosso Sul e São Paulo até perto dos 70 anos.

Tropeirismo teve quase dois séculos de força econômica

O historiador Arnoldo Monteiro Bach, autor do livro “Tropeiros”, explica que a última Feira de Sorocaba ocorreu em abril de 1897, conforme noticiou o jornal 15 de Novembro de Sorocaba: “Esteve muito animada este ano (1897) a tradicional feira de bestas desta cidade”. No entanto, o comércio de muares continuou até a década de 30. “O muar era o motor da economia brasileira. Quem adquiria um muar tinha um patrimônio, tamanha sua utilidade”, ressalta.

O movimento tropeiro, que começou por volta de 1730, teve seu ápice em 1897. Depois disso o volume de tropas se reduziu, mantendo certa frequência até 1915 e rareando cada vez mais com o passar dos tempos. O caminho Viamão-Sorocaba era a principal rota do tropeirismo.

Bach conta que as mulas eram usadas até como tração de bondes. “Em 1900, a Companhia de Bondes São Cristóvão, do Rio de Janeiro, que atendia a Zona Norte, com 60 quilômetros de extensão de linhas, contava com 150 bondes de diversos tipos, 2 mil animais e 600 empregados.” Com o surgimento dos motores a diesel, os muares perderam terreno para os equipamentos motorizados.

Longas jornadas levando bois para o interior

Em sua casa, batizada de Rancho do Tropeiro Velho, Otávio dos Reis conta que após a última viagem ele começou a vender cavalos pelas regiões Sul e Central do Paraná, passando por Guarapuava e Palmas. Aos 33 anos, mudou-se para uma fazenda de Jacarezinho, no Norte Velho, onde foi capataz e conduziu algumas boiadas. “Mas eram viagens pequenas.”

No entanto, o sangue tropeiro continuava pulsando forte. Otávio tornou-se de fato boiadeiro, conduzindo bois do Paraná até o sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Tropeiro e boiadeiro são duas categorias diferentes. Tropeiros vinham do Rio Grande do Sul até São Paulo carregando mulas”, ressalta.

As viagens eram longas e com até 200 bois. Para atravessar o Rio Paraná, era necessário colocar o gado em uma balsa. “Todo o processo para colocar e tirar os bois e atravessar o rio levava perto de duas horas”, relata.

Caminhos

Pedágios cobravam por mulas e cavalos e faziam viajantes desviarem

Otávio Reis, o centenário ex-tropeiro de uma família de origem portuguesa que contava 12 filhos, lembra que uma prática muito comum era realizar rotas em zigue-zague para driblar os pedágios aplicados pelo governo da época. “Para atravessar com as tropas a gente tinha que pagar os postos de registro. Muitas tropas faziam caminho diferente para não precisar pagar”, conta ele.

Os primeiros a pagar taxas a fim de obter autorização para percorrer o Paraná no lombo dos muares foram exatamente os tropeiros. Isso porque o reino português só autorizaria a abertura da Rota dos Tropeiros a partir de 1730 se tivesse lucro. 


Estabeleceram-se, então, postos de registros ao longo do Caminho de Viamão, que ligava o Rio Grande do Sul à paulista Sorocaba. Ao menos três pontos realizavam a cobrança: no Rio Pelotas (entre Santa Catarina e o Rio Grande), nas margens do Rio Iguaçu (perto de Curitiba) e em Sorocaba. Os valores eram basicamente de 2,5 mil réis por muar e 2 mil por cavalo.

Créditos : Chasque de Diego Antoneli. Retrato de Henry Milleo / Jornal Gazeta do Povo – PR


Chasque publicado no Sítio Facebook do viamonense Mário Dutra: https://www.facebook.com/mario.dutra.142.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Momento da Cultura Regional 3! Nove décadas de nascimento de Jayme Caetano Braun


Em 30 de janeiro de 2014 se comemora os 90 anos de nascimento do pajador, poeta e compositor Jayme Caetano Braun, um dos mais consagrados artistas rio-grandenses de todos os tempos. 

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O calor de janeiro de 2014 talvez não seja igual a do mesmo mês no ano de 1924, assim como o mundo não tem o mesmo ritmo. No início do século XX as famílias com certo grau cultural se reúnem nas salas de suas casas para os saraus e recitais e os peões, que forjam suas erudições na lida do campo, no lombo do cavalo e na herança das guerras de fronteira, entoam suas realidades nas penhas com seus pares no interior dos galpões. Jayme Caetano Braun nasce nesta realidade, no dia 30 de janeiro de 1924, na estância Santa Catarina, de propriedade de seus avós maternos, Anibal Caetano e Florinda Ramos Caetano, na localidade de Timbaúva, então 3º distrito de São Luiz Gonzaga, atual município de Bossoroca.

Seu pai, João Aluysio Thiesen Braun, é um respeitado professor descendente de alemães e sua mãe, Euclides Ramos Caetano Braun, de tradicional família pecuarista da região missioneira. O casal Braun reside em São Luiz Gonzaga e dirige-se a estância dos avós paternos durante as férias com o claro objetivo de que o nascimento do seu segundo filho ocorra naquela localidade, aos cuidados de uma parteira chamada Antônia. Depois do resguardo, o casal retorna para São Luiz Gonzaga e Jayme cresce com a realidade do campo e da cidade, numa região em que a mística das Reduções Jesuíticas move o imaginário popular, forjando assim o seu discurso poético.

Segundo Vinícius Ribeiro, artista plástico escultor das duas estátuas do pajador, pesquisador e primo em terceiro grau de Braun, o dom artístico provém da família que lhe viu nascer. “Sua avó materna Florinda Ramos Caetano, irmã do poeta e coronel revolucionário Laurindo Ramos, dominava o verso de improviso e recitava seus poemas no ambiente familiar criando forte estrutura poética que Jayme veio a conviver e herdar mais tarde” afirma Ribeiro.

Em virtude das transferências do professor João Aluysio, o adolescente Jayme mora em Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Cruz. Após a morte do professor, a família muda-se para Porto Alegre, mas Jayme resolve retornar ao seu berço de nascimento, passando a residir na fazenda Santa Terezinha, de propriedade de seu tio Danton Vitório Ramos, também na Timbaúva. Casa-se com Nilda Aquino Jardim, com quem tem dois filhos. Mora por um ano na Estância Piraju, de propriedade de seu sogro. Depois se muda para Serrinha, distrito de São Luiz Gonzaga, onde administra um bolicho de campanha por cerca de dois anos, em seguida retorna a São Luiz Gonzaga e de lá, definitivamente para Porto Alegre, onde vive maior parte de sua vida e tem outro filho, num segundo casamento, com Aurora Ramos Braun.

Na capital gaúcha conquista o reconhecimento como homem da palavra, torna-se diretor da Biblioteca Pública (1959-1963), sócio-fundador da Estância da Poesia Crioula, presidente do Conselho Coordenador, que futuramente vem a ser o MTG e Conselheiro de Cultura do Estado. Como locutor de rádio sua atuação provém desde São Luiz Gonzaga, mas em Porto Alegre ganha notoriedade estadual, mantendo por 15 anos o programa Brasil Grande do Sul, na Rádio Guaíba AM.

Na Estância da Poesia Crioula realiza diversos estudos sobre a poesia, convive com a elite de poetas crioulos da época e conhece ao poeta uruguaio Sandálio Santos (Nicásio Garcia Beriso), quem lhe ensina a estrutura da Décima Espinela, a qual sustenta a maior parte de sua produção poética escrita e improvisada através da pajada.  Participa do Grupo Os Teatinos, juntamente com Glênio Fagundes, Paulo Fagundes e Marco Aurélio Campos.

Sobrinho do poeta e político Ruy Ramos, também herda deste, além da poesia, o gosto pelas questões sócio-políticas, apesar do seu insucesso nas urnas numa única vez que se candidata a deputado estadual. Por influência deste, participa como pajador de campanhas importantes como as de Getúlio Vargas, Leonel Brizola, Jânio Quadros e outros.

Estas vivências do campo, da cidade, das missões, da política, da região de fronteira e dos meios culturais são formadoras da sua produção artística em seus diversos livros e discos de sucesso. A parceria com seu conterrâneo Noel Guarany lhe dá visibilidade de um resgate extremamente importante que é a valorização da cultura missioneira, na qual se agregam num futuro breve, Cenair Maicá e Pedro Ortaça, entre outros. O canto de rebeldia, sendo a voz calada do índio, o alerta para um patrimônio cultural abandonado e a defesa dos usos e costumes do campo e do bem maior do povo, a liberdade, são seus discursos poéticos preferidos que encontram eco nos anseios de grande parte da população rio-grandense. Estes e outros fatores, associados a sua qualidade poética e inspiração incomparável, lhe outorgam a respeitabilidade como um dos mais importantes poetas do Estado e o patrono do movimento pajadoril brasileiro, tendo sua data de nascimento reconhecida por lei estadual como Dia do Pajador Gaúcho.

O Professor Mosart Pereira Soares ao referir-se ao poeta pajador afirma: “Eu diria que a desenvoltura de Jayme Caetano Braun improvisando participa da natureza do milagre.” E, continua: “O Jayme Caetano Braun foi, até aqui, a maior expressão do improvisador, do pajador, que tivemos. Diante dele não há o que resista. O Jayme Caetano Braun tem uma cultura respeitável e sobretudo um imenso talento.”  O poeta Balbino Marques da Rocha é profético: “Jayme nasceu em São Luiz Gonzaga, mas naquele momento tremeram os alicerces dos quatro pontos cardeais do Rio Grande, porque nascia o grande inimitável payador desta terra, que terá o calendário mudado para antes e depois de Braun.”

Ambos têm razão, Jayme Caetano Braun é reconhecido como um cultor da poesia que transcende o gauchismo e o seu tempo. É nome de CTG na capital federal, de viaduto em Porto Alegre, está imortalizado em estátuas em São Luiz Gonzaga e na capital gaúcha e em praça, em Passo Fundo. É considerado por artistas e públicos de diversas gerações como um prócer da cultura rio-grandense, que deixa discípulos e influencia até hoje a produção artística do Estado. É consagrado nos galpões dos rincões mais ermos do sul do Brasil e nos salões mais nobres da capital, prova disso é que, quando da sua morte, em 08 de julho de 1999, o Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, sede do governo estadual, vela respeitosamente seu corpo, na despedida derradeira.

Seus poemas e letras de música permanecem atuais, recitados, lidos e ouvidos nos mais diversos ambientes, inclusive além-fronteiras, respaldando seu sonho de pátria grande através do modus vivendi dos habitantes do sul da América. Suas pajadas continuam inspirando novos pajadores e encantando os admiradores da poesia oral improvisada.

Fonte! Chasque do amigo, jornalista, poeta e pajador Paulo de Freitas Mendonça, publicado no seu sítio no dia 30 de janeiro de 2014. Abra as porteiras clicando em www.paulodefreitasmendonca.blogspot.com.br.

Este chasque levamos pro Momento da Cultura Regional, do programa Gritos do Quero Quero da Rádio Acácia FM 87,9, no dia 1º de fevereiro de 2014.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Especiais Acácia dia 31 de janeiro: Grupo Revelação

Neste dia o programa será apresentado pelo âncora Ricardo Gonça (chega mais e fica junto).....

Abra as porteiras da nossa emissora clicando em www.acaciafm.com.br.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Momento da Cultura Regional 2! Prezado Luiz

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra, né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão. Por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo? Era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra ca­sa, já eram onze e meia da noite e, com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite. De ma­drugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu vivia com so­no. 
Estou pensando em mudar para viver aí na cidade, que nem vocês. Não que seja ruim o sítio. Aqui é muito bom. Muito mato, passarinho, ar puro. Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. Estou vendo todo mundo falar que nós da agricultura estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio do vô, que foi do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em ca­sa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança. Então vejo televisão na praça da igreja. Então vejo televisão na praça da igreja.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luís?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né), contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou.
Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família.
Mas vieram umas pessoas aqui, do Sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite.
Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra, né Luis?
O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele.
Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos Sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra Delegacia, bateram nele e não apareceu nem Sindicato, nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada, onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros.
Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor.
Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas.
O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados.
As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da Capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar.

Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto!
No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, aí tem luz, carro, comida, rio limpo.
Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar aí com vocês, Luís. Mas fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem plantar, nem cuidar de galinha, nem porco, nem vaca, é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
Belo texto escrito pelo Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor do Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.
Fonte! Este chasque foi publicado no sítio AB Blog. Abra as porteiras clicando em http://www.agroab.com.br/blog/prezado-luis/.
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Nossa opinião! O engraçado é que se exige mundos e fundos dos agricultores, que "teimam" em não ir pra cidade. E os que já se foram pra cidade, via êxodo rural, como eu, meus irmãos e até meus pais, se juntando aos urbanos, estão ajudando a sujar os rios, lençóis freáticos, matando a fauna, a flora, com a destruição da natureza, com a poluição ambiental e aí a legislação não consegue dar uma freada nisso.
E sem agricultura, sem pecuária, sem produção alimentar, não tem cidadão de cidade que sobreviva, pois os alimentos vem da roça, da lavoura, dos estábulos, das hortas, das pocilgas, enfim, os alimentos NÃO vem da cidade, mas são produzidos na agricultura, na pecuária, com o objetivo de alimentar o universo populacional do campo e das cidades.

E o pior de tudo é os destinos incorretos dos resíduos produzidos nas cidades. Mistura-se o lixo da cozinha com o lixo do banheiro e o lixo 100% limpo, que deveria ser 100% reciclado. A natureza e o meio ambiente agradeceria. No entanto, esta mistura toda vai pra vala comum: pro aterro sanitário. Ali produz chorume que polui as correntes de água, que, mais cedo ou mais tarde, é captada e vai para o tratamento e esta volta pras nossas casas por meio das torneiras..... mas em que condições???

E o lixo reciclável. Por que vi pro aterro?? Falta de consciência ambiental talvez e muitas vezes, acomodação da população urbana. Todos sabem que grande número de cidades tem coleta seletiva, principalmente as grandes e todos sabem que muitas pessoas sobrevivem da cata de latinhas e garrafas pet. No entanto, vai tudo pra vala comum, tudo misturado, pro aterro sanitário, aumentando a poluição e os danos pro meio ambiente.
Valdemar Engroff
Este chasque foi apresentado no Momento da Cultura Regional, do programa Gritos do Quero-Quero, no dia 25 de janeiro, na Rádio Acácia FM 87,9, a primeira rádio legal de Alvorada (RS).

terça-feira, 21 de janeiro de 2014