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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS) - 26.02.2021

 Quantos tradicionalistas ativos temos no Rio Grande do Sul?

 
Créditos! Valdemar Engroff Arquivo Pessoal
       Quantos tradicionalistas ativos existem no Rio Grande do Sul? Para responder esta pergunta, o Movimento Tradicionalista Gaúcho e a Fundação Cultural Gaúcha uniram forças e realizaram ampla pesquisa ao longo dos últimos meses. Com assessoria da equipe do sistema MTGNet, utilizado para gestão das entidades, a metodologia levou em consideração o número de cartões tradicionalistas expedidos e os demonstrativos apresentados pelas 30 Regiões Tradicionalistas. Conclusão: são 66.100 tradicionalistas.

 O estudo é dividido por Região Tradicionalista (RT). A mais numerosa, com 5.747 tradicionalistas ativos, é 25ª RT, seguida da 7ª RT, com 5.132 e 1ª RT, com 4.553. Em quarto lugar aparece a 23ª RT, com 4.043 tradicionalistas ativos e em quinto lugar, a 13ª RT, com 3.834. Segundo Maxsoel Bastos, que conduziu o trabalho de pesquisa e levantamento de dados, números precisos são fundamentais para a tomada de decisões.

A 25ª RT compreende a região de Caxias do Sul; a 7ª de Passo Fundo, a 1ª Porto Alegre e região metropolitana; a 23ª região do litoral norte e a 13ª a região de Santa Maria. Fonte! Chasque publicado no sítio oficial do Movimento Tradicionalista Gaúcho o Rio Grande do Sul - https://www.mtg.org.br, em 25 de janeiro de 2021.

         Nossa opinião! É um trabalho palpável, com dados reais (cartões tradicionalistas emitidos). Ou seja, são os associados das entidades tradicionalistas com o seu cartão tradicionalista. Mas sabemos que temos muito mais tradicionalistas, que são associados no seu CTG ou entidade afim, em dia com as obrigações financeiras e sem cartão tradicionalista (é o meu caso) e também temos os simpatizantes, que não são associados mas militam neste que é o maior movimento cultural do planeta (segundo a Onu). Logo, temos centenas de milhares de tradicionalistas em todo o Rio Grande do Sul.

MTG libera trabalho de narradores

Por 17 votos favoráveis, nenhum contrário e três abstenções, o conselho diretor do O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul aprovou a alteração no Inciso IX do Artigo 49 do Regimento Interno do Departamento de Narradores, que previa exclusividade de atuação de seus membros para eventos de entidades filiadas ao MTG.

Na prática, isso permite que os profissionais possam trabalhar em rodeios de entidades não filiadas, como a Federação Gaúcha de Laço. A decisão havia sido aprovada pelo Departamento de Narradores, mas precisava ser chancelada pelo conselho. O vice-presidente Campeiro do MTG, Adriano Pacheco, que trabalhou intensamente nos bastidores pela aprovação da medida, comemorou a decisão.

"Oferecer novas oportunidades de trabalho aos nossos narradores era vital para que todos possam superar as dificuldades trazidas pandemia. Agradeço e parabenizo o nosso diretor Ricardo Favin, pelo empenho em lutar pela aprovação da medida", observa Adriano, que no dia 19 de fevereiro visitou o evento da Estância Liberdade, em Rolante, organizado pelo criador de cavalos crioulos Evaldo da Rosa, membro da diretoria da ABCCC (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos. Chasque de Giovani Grizotti, remetido pela Assessoria de Imprensa do MTG, por Sandra Veroneze.

Fonte! Chasque / coluna semanal de Valdemar Engroff, publicado nas páginas do Jornal A Semana de Alvorada, na edição do dia 26 de fevereiro de 2021.

RS Futebol Clube completa 20 anos de história dentro de Alvorada

Clube fundado em 2001 tinha como sócios o empresário Foguinho e o treinador Paulo Carpegiani

"Estrutura alvoradense hoje serve para as categorias de base do Internacional." (Foto: Divulgação)

Em janeiro de 2001, o empresário Valdir de Oliveira Silveira, mais conhecido como Foguinho; e o ex-jogador e treinador Paulo César Carpegiani fundavam em Alvorada o RS Futebol Clube. Já no seu segundo ano, o clube disputou a 3ª divisão do campeonato gaúcho – onde se sarou campeão – e a 2ª divisão nos três anos seguintes. Em 2004 e 2005 disputou também a Copa RS. 

Nessa época o clube mandava os seus jogos na Morada dos Quero-Queros, com capacidade para abrigar 2.000 espectadores. O centro de treinamento (CT) do clube começou a ser construído no início do século, quando surgiu o RS Futebol Clube. O foco da instituição sempre foi a formação de atletas para o mercado nacional e internacional. 

Em entrevista publicada no Jornal do Comércio, o gerente de futebol do Pedra Branca, Renato Sá Neto, informou que o clube faturou cerca de R$ 31 milhões com a venda de jogadores, entre 2001 e 2006. Contudo, depois disso a sociedade foi rompida e a mudança do nome do clube – RS para Pedra Branca – ocorreu porque a marca é do treinador Carpegiani.

No período em que teve o time profissional, o RS não conquistou apenas o título de 2002. Isso porque o clube ficou conhecido por revelar nomes importantes do futebol, como os zagueiros Thiago Silva (PSG) e Naldo (Mônaco) e o meia Éderson (ex-Flamengo). Em 2008 houve a mudança de nome para Pedrabranca, mas a escolinha e o plantel de juniores foram encerrados devido à parceria com o Internacional.

Locação ao Internacional

O clube acabou encerrando suas atividades profissionais em 2008, mas em 2012 assinou contrato com o Sport Club Internacional. Para isso foi locado a Morada dos Quero-Queros, na entrada da cidade. A estrutura havia sido construída em 2001 e as obras duraram 120 dias. Segundo um dos proprietários do espaço, Valdir Silveira, o centro de treinamentos foi considerado durante muito tempo um dos melhores do Brasil.

O alojamento dos atletas conta com 20 quartos, com cada um comportando até quatro atletas. Além disso, a estrutura da Morada dos Quero-Queros é equipada com quatro campos de futebol profissional, mais oito vestiários, academia, piscina térmica e departamento médico. Isso sem contar o campo oficial de grama sintética, que já foi utilizado pelo time profissional.

Desde que está em Alvorada, o clube gaúcho gasta anualmente R$ 20 milhões entre salários, melhorias e aluguel do espaço. Lá os atletas contam com uma equipe formada por nutricionistas, médicos, assistentes sociais e fisioterapeutas. Em Alvorada, o Internacional conta refeitório, auditório para palestras e área de lazer para os jogadores. Foi de lá que profissionais como Rodrigo Dourado saíram.

Fonte! Chasque publicado nas páginas do Jornal A Semana de Alvorada, na edição do dia 26 de fevereiro de 2021. 

Tradicionalistas repercutem adiamento da Cavalgada do Mar

Evento que acontece todos os anos já reunião milhares de pessoas no litoral gaúcho
 
"Participantes entenderam e concordam com o adiamento desta edição" (Foto: Divulgação)
Assim como vários eventos, a pandemia do coronavírus fez com que a 37ª Cavalgada do Mar, fosse adiada. O anuncio foi feito no inicio de janeiro deste ano pelo comandante e presidente do Instituto, Eduardo Amaro Pellizzer.

No comunicado feito nas redes sociais, o presidente informou a decisão da diretoria do Instituto. “...diante das rigorosas regras sanitárias, das restrições de circulação na orla marítima, alto risco de contágio nos acampamentos e a repercussão negativa frente as autoridades, quando envolve a Cavalgada do Mar”, informa a nota.

No entanto, muitos alvoradenses participam deste que é um dos eventos mais tradicionais do Rio Grande do Sul e percorre o litoral gaúcho por centenas de quilômetros, estando inclusive, no Livro dos Recordes (Guinness Book) como o maior evento festivo do homem a cavalo do mundo.

Participando há mais de 20 anos do evento, Renato Spanhol diz que a não realização do evento representa uma lacuna muito grande para quem é amante do cavalo e das cavalgadas. “A gente se prepara o ano todo pensando nisso porque é um momento de lazer, de integração entre homem, cavalo, natureza, mar e, além disso, é uma integração entre amigos”, lembra.

Contudo, o tradicionalista torce para que todos sejam vacinados e que o evento seja retomado no próximo ano assim como vários outros eventos que, em 2020, tiveram que ser cancelados como a Busca da Chama Crioula, Acampamento Farroupilha e outros.

Quem também entende e respeita a decisão do Instituto é Solon Silva que há 33 anos participa da Cavalgada do Mar. Segundo ele, o evento é uma atividade que passa de pai para filho. “Tem pais hoje com 30 anos que fizeram a cavalgada com dois, três anos de idade e hoje estão com seus filhos junto. Então ela é bem familiar no sentido de reunir as pessoas. Nós tivemos já três mil cavalarianos”, explica.

Esta reunião ou aglomeração de pessoas é o que leva o tradicionalista a também concordar com o adiamento desta edição. “Imagina que tenhamos 500 cavaleiros que é pouco porque já tivemos três mil participantes. Não vai acontecer nada se falhar um ano, bem pelo contrário vai fazer bem porque vai aglomerar gente e não estamos em tempo de fazer isso”, conclui. 

Fonte! Chasque publicado nas páginas da edição do dia 12 de fevereiro de 2021 do Jornal A Semana de Alvorada (RS).

 

Museu Farroupilha, em Piratini, é reaberto para o público

Retorno ocorre com exposição temporária sobre a Revolução de 1835/SEDAC/Divulgação/Cidades

O Museu Histórico Farroupilha, em Piratini, reabriu ao público no fim de semana. A retomada das visitações será de acordo com os protocolos de higiene exigidos pelo governo do Estado, observando orientações como o distanciamento entre os frequentadores e o uso de álcool gel nas dependências do museu por conta da pandemia de coronavírus.

A instituição, que ficou um período sem visitação porque teve melhorias em seu mobiliário expositivo e no próprio prédio, agora retorna com uma exposição temporária sobre a Revolução Farroupilha (1835-1845). Para setembro - em alusão às comemorações do mês farroupilha - está programada a chegada da Coleção TcheVoni. São quase mil peças, entre livros, espadas, balas de canhão, documentos, moedas e itens comemorativos do período farroupilha doados por Volnir Júnior dos Santos, conhecido nas redes sociais como Tchê Voni.

O acervo é fruto de mais de 20 anos de colecionismo e foi doado em 2019 para o Museu Farroupilha pelo colecionador, que é gaúcho, mas reside em Rio Grande do Norte. A chegada da coleção ao museu representará uma espécie de reinauguração da instituição, já que o número de itens é mais que o dobro do acervo atual, contabilizado em 700 peças. A visitação por ser feitas nas terças a sextas-feiras, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h, e nos sábados, domingos e feriados, das 14h30 às 17h

Fonte! Chasque (post) publicado no caderno Jornal Cidades, encartado na edição do dia 23 de fevereiro de 2021 do Jornal do Comércio de Porto Alegre / RS

Uma década sem Sergio Jockymann, que criou bordão 'Pensem nisso'

Jornalista, dramaturgo e político foi popular com comentários no rádio e na TV entre 1960 e 1980. Acervo Simone Jockymann / Divulgação / JC

Parido a fórceps, Sergio Jockymann nasceu quase cego do olho esquerdo. Mas isso não impediu que lesse muito com o direito. Absorvia todos os livros que encontrava na biblioteca de Cruz Alta, a 336 quilômetros de Porto Alegre. Nascera em Palmeira das Missões, distante quase 100 quilômetros, mas foi morar lá depois que o pai ganhou uma farmácia numa partida de pôquer. Certo dia, pegou na biblioteca um exemplar de 1919, de John dos Passos, e levou para casa.
 
O pai, um "alemão grosso", nas palavras do filho, não era muito da leitura, mas conhecia o livro - "pornográfico" - e lhe deu uma surra. Décadas depois, Jockymann ainda se lembraria da reação, que se repetiria com outras leituras.
 
Durante toda a vida, jamais se submeteria de novo a alguém, mesmo que isso trouxesse consequências. Há uma década, em 16 de fevereiro de 2011, morreu aos 80 anos como viveu: livre, até mesmo de Deus, pois era ateu.
 
Ainda cedo, conseguiu independência dos pais, com os quais tinha uma relação tumultuada. Começou a trabalhar na imprensa aos 19 anos e só parou em 2006, pouco antes de morrer. Para a história, ficou seu bordão - "Pensem nisso, enquanto lhes digo: até amanhã" - popularizado pelos comentários no rádio e na TV entre as décadas de 1960 e 1980.
 
Mas sua vida foi mais que uma boa sacada. Teve muitas profissões: jornalista, dramaturgo, escritor e político. Às vezes, foi tudo isso ao mesmo tempo. Trabalhava muito. Em um mesmo dia, falava no rádio e na televisão, escrevia para dois jornais, roteirizava novelas para a TV, escrevia peças. Tudo o que fazia reverberava.
 
Conseguia dar conta de tantas atividades porque escrevia muito rápido. "Teve uma vez que ele estava jogando pôquer com amigos e se deu conta que precisava escrever um artigo para entregar no dia seguinte. Foi ao gabinete, escreveu em 20 minutos e voltou a jogar", lembra a esposa Simone. A fortaleza de Jockymann era sua casa, localizada no Jardim Isabel, na Zona Sul de Porto Alegre, onde morou entre os anos 1970 e 1990. "Ele não tinha nada. Essa casa foi uma conquista", afirma a filha Luelyn.
 
Trabalhando de casa - "o precursor do home office", segundo a família - Jockymann saía pouco. Jantar fora ou ir ao cinema era fato raro e festejado pela esposa e filhas. Preferia o seu gabinete, que fora projetado por ele próprio, rodeado pela coisa que mais apreciava depois da família: sua biblioteca pessoal, com 15 mil livros, que ocupavam todas as paredes, do rodapé ao teto. Um deles era seu preferido: Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes.
 
A trajetória profissional de Jockymann sofreu um engasgo quando o jornalista virou deputado estadual (1991-1994). Não conseguiu a reeleição e ganhou inimizades na política. Esperava encontrar trabalho na imprensa, mas isso também não aconteceu. No fim dos anos 1990, passou a sofrer problemas renais que o acompanhariam até a morte.
 
Sempre quis viver de frente para o mar. Em 2000, vendeu sua casa em Porto Alegre e foi morar com a esposa e a filha Karel em Garopaba (SC). Voltaria à capital gaúcha apenas uma vez, em meados dos anos 2000, para acompanhar gravações do filme Dias e noites, adaptação para o cinema de seu folhetim Clô Dias e noites. Com o agravamento de seu quadro, passou a viver entre Santa Catarina e Campinas, onde morava a filha Luelyn. O nascimento da neta, Aurora, em 2010, o animou. Aurora "foi o último amor da vida dele", segundo Simone.
 
Jockymann foi um dos homens mais produtivos de sua época. Deixou cinco livros publicados e outros quatro inéditos, nove novelas para a TV, pelo menos 5 mil crônicas e várias peças de teatro. Casou-se duas vezes e teve seis filhos - quatro no primeiro casamento (Iria, Daphne, Heliane e André) e duas no segundo (Luelyn e Karel). Realizou o sonho de ter seu próprio jornal, o RS.
 
Faltou alcançar apenas uma ambição. "Ser Deus", diz Simone, aos risos. "O sonho dele era ser Deus". O humorista Renato Pereira, amigo de Jockymann desde os anos 1960, confirma: "Nós, amigos, éramos como os acólitos do sacerdote".
 
Emocional por natureza, Jockymann despertava paixões nos seus interlocutores. Ou era amado ou era odiado. Talvez por falar - e escrever - muito, alguns o viam como uma pessoa arrogante.
 
Pagou por isso em determinado ponto da trajetória profissional, mas jamais deixou sua liberdade de lado, até mesmo sob problemas graves de saúde. No fim da vida, demorou a seguir o tratamento para os rins.
 
Até morrer, não havia falado na morte. Não deixou prescrições para Luelyn, que o acompanhou no momento final, de como deveria ser seu velório ou enterro. Não houve qualquer evento fúnebre.
 
Sergio Jockymann foi cremado e, cinco anos depois, a neta Aurora jogou suas cinzas ao Guaíba. Porto Alegre finalmente o recebeu de volta.

De repórter a dono de jornal

Sergio Jockymann em sua juventude, nos anos 1950
/ Arquivo pessoal Sérgio Jockymann / Divulgação / JC

Como muitos, Sergio Jockymann começou na imprensa como repórter, encontrando várias histórias inusitadas pelo caminho. "Uma vez chamaram ele em Estância Velha. Um cara dizia ter visto um disco voador com dois extraterrestres dentro. Meu pai chegou lá meio com medo, o cara levou ele no porão e falou assim: 'Tu está vendo eles?'. E ele respondeu: 'Sim, tô'. O cara disse: 'Tu tem certeza que tu tá vendo?' e ele concordou. O cara disse: 'Tu é um mentiroso, eu vou te matar agora porque eles só aparecem para mim'", conta Luelyn.
 
Na Última Hora, a partir de 1961, passou a assinar uma coluna chamada Boa tarde, Excelência, em que criticava o governador Leonel Brizola. "Um dia o Samuel [Wainer, dono do jornal] me chamou - estava dividido, era muito amigo do Brizola - e me disse: Tenho que te contar a verdade: estão querendo tirar dinheiro do Brizola e estão tentando te usar", relataria Jockymann, que utilizava um pseudônimo, "Gato Preto" - seu animal preferido.
 
Passaria da crônica política para a policial. Em 1963, o deputado estadual Euclides Kliemann foi assassinado por um opositor enquanto participava de um programa de rádio em Santa Cruz do Sul. No ano anterior, sua esposa, Margit, também fora assassinada sob circunstâncias obscuras.
 
A proximidade dos episódios provocou comoção e intriga em todo o Estado: as duas mortes teriam relação? Como toda a imprensa, a Última Hora embarcou na cobertura dos casos publicando novidades diárias. Para esquentar o noticiário, surgiu uma nova e misteriosa personagem na narrativa dos jornais: a "dama de vermelho", que estaria envolvida na morte de Margit e cuja existência nunca foi comprovada.
 
Ao jornalista Celito De Grandi, que publicou Caso Kliemann: a história de uma tragédia (Edunisc, 2010), Jockymann admitiu: "Nós mentimos muito nos jornais, até que um dia eu parei para pensar e vi que o caso todo tinha sido muito importante na minha vida. Passei a ter maior responsabilidade e me arrependo, sinceramente, do que escrevi".
 
Depois desse episódio, Jockymann colocaria sua criatividade a serviço das crônicas, entre a ironia e a acidez. Ainda voltaria ao Diário de Notícias e passaria por Zero Hora, onde um substituto seu, Luis Fernando Verissimo, começou a chamar a atenção. Pois - era assim que Jockymann começava suas crônicas - passou a escrever para a Folha da Manhã e Folha da Tarde, a partir de 1969.
 
Quando a Folha da Tarde capengava, em 1981, perdendo circulação e leitores, Jockymann foi convocado pelo diretor do jornal, Walter Galvani, para escrever um folhetim para levantar a publicação.
 
Clô Dias e noites apresentava Clotilde, uma mulher oprimida pelo marido, situação ainda presente hoje e mais frequente ainda em 1981, de forma que rapidamente se transformou em sucesso. "Vi que a tiragem reagia à medida que a história, inteligente e cheia de suspense, crescia", revelou Galvani no livro Olha a Folha (Sulina, 1995). No ano seguinte, o folhetim seria editado em livro pela L&PM.
 
Jockymann escreveu para a Folha até o seu fim, em 1984. Após a falência da Caldas Júnior e a venda para o empresário Renato Ribeiro, resolveu criar seu próprio jornal, RS - O Jornal da Semana, que circulou entre 1986 e 1993. Confessou na primeira edição: "Vocês têm nas mãos o mais velho sonho meu. Um sonho antigo e teimoso, que levou 32 anos para se tornar realidade".
 
Arrevistado, o jornal trazia grandes reportagens e colunistas egressos da Caldas Júnior. Ganhou repercussão na cobertura do assassinato do deputado estadual José Antônio Daudt, em 1988, levantando hipóteses dissonantes da Polícia Civil e dos demais veículos. Jockymann encerrou a carreira escrevendo para o Grupo Sinos, entre 1996 e 2006, e não foi convidado para trabalhar em outro jornal.

Estilo marcante no rádio e na TV

No começo dos anos 1980, fazia comentário diário no Guaíba Ao Vivo
/Arquivo pessoal Fernando Golgo/Divulgação/JC

Quando a "música do assobio" tocava ao longe, todos em Porto Alegre sabiam que Sergio Jockymann estava falando no rádio. A trilha - Rossana, do filme Os sete homens de ouro (1965) -, que marcava o comentário do jornalista na Rádio Guaíba é lembrada até hoje pelo público. O rádio foi um grande catalisador da criatividade de Jockymann.
 
Seu primeiro emprego, em 1949, foi na Rádio Difusora, hoje Bandeirantes, como locutor e redator. Mas, cheio de ideias, Jockymann não conseguia colocá-las em prática. Quando a Rádio Guaíba foi criada, em 1957, Jockymann logo integrou a equipe e afinou-se com o estilo sofisticado da rádio. "Na minha primeira década em rádio eu fui posto na rua várias vezes, exatamente por sonhar com o tipo de programação adotado pela Guaíba", refletiu em 1969.
 
Na Guaíba, Jockymann revelou-se um redator e produtor prolífico, chegando a produzir cinco programas ao mesmo tempo. Uma de suas realizações foi Aventuras no mundo do som, em que explorava todos os efeitos sonoros do rádio da época. Certa vez, reproduziu a experiência de Orson Welles e recriou A guerra dos mundos, de H. G. Wells.
 
Com a ascensão da Guaíba e as modificações de mercado com a chegada da televisão, inaugurada em 1959, a Farroupilha, antes líder, entrou em crise. Jockymann assumiria a direção artística da rádio em 1963 sob condições adversas: não havia mais dinheiro para manter a orquestra, tampouco o elenco de radioteatro. Mas, com a ajuda de amigos como Renato Pereira e Eloy Terra, criou e dirigiu vários humorísticos como Porto Alegria e Semanascope.
 
"Jockymann foi de uma geração particular na história da comunicação no Rio Grande do Sul, de pessoas que tinham um embasamento cultural diferenciado, de extrema criatividade, que pegaram a transição do rádio-espetáculo ao rádio segmentado", analisa o professor Luiz Artur Ferraretto, da Ufrgs. Para o humorista Renato Pereira, Jockymann era mais que um amigo ou colega. "Ele era minha referência profissional. O meu estilo tem muito dele", revela.
 
Em seu retorno à Guaíba, já no fim dos anos 1960, a rádio já não tinha mais rádio teatro, agora estando mais voltada ao jornalismo. Jockymann passou a fazer aquilo que o tornaria mais célebre no rádio: a crônica diária sobre assuntos do cotidiano da cidade, com trilha e bordão característicos.
 
Na televisão, também revelaria seu poder criativo. Ajudou a elaborar os dois principais programas de TV dos anos 1970 no Rio Grande do Sul: Portovisão e Jornal do Almoço. "Os dois programas foram criados na sala da minha casa", revela Simone.
 
Jockymann ficaria mais tempo no Portovisão, exibido pela TV Difusora a partir de 1974. Criou um estilo de comentário que utilizava um recurso dramatúrgico: o silêncio. "Era muito interessante. Ele falava uma coisa e ficava em silêncio", relembra a jornalista Tânia Carvalho, primeira apresentadora do Jornal do Almoço e do Portovisão.
 
Antes de o Inter conquistar seu primeiro Campeonato Brasileiro, em 1975, Jockymann prometeu que não diria uma só palavra caso o time vencesse o Cruzeiro na final. O Inter venceu a partida por 1 a 0. Na segunda-feira seguinte ao jogo, Jockymann cumpriu o prometido: passou o comentário todo apenas sorrindo. Foi na TV que sua torcida para o Internacional ficou mais evidente, mesmo que, na vida pessoal, não fosse o "Colorado Delirante", personagem de suas crônicas. "Ele gostava, mas não era fanático. Gostava de todo time que vestisse vermelho", conta a filha Luelyn.
 
Quando a TV Guaíba foi inaugurada, em 1979, Jockymann passou a fazer parte da programação, com um comentário diário para o Guaíba Ao Vivo, exibido à noite. Com a falência da Caldas Júnior, em 1984, não sobraram muitos profissionais para tocar a emissora adiante e Jockymann assumiu a direção da TV. Sem recursos, criou uma programação barata, com programas comprados de outras emissoras, muitos filmes e a manutenção de alguns programas ao vivo.
 
No rádio, ainda teria passagens pelas rádios Pampa e Bandeirantes entre o fim dos anos 1980 e o começo dos anos 1990. "Jockymann era desses nomes que levavam o público para onde iam, não importava a emissora que fosse", afirma Ferraretto.

Dramaturgia: sucesso nos palcos e nas novelas

Nos anos 1960, com a esposa Simone, que conta que ele não aceitou convites da Globo
Arquivo pessoal Sérgio Jockymann/Divulgação/JC

Marcada pela comédia de costumes, a dramaturgia de Sergio Jockymann fez sucesso junto ao público ao retratar a vida da classe média. No teatro, começou com Caim (1955). O sucesso viria a partir de 1961 com a sátira política Boa tarde, Excelência, que alcançou 22 mil espectadores na Capital. Com Marido, matriz e filial (1966), Jockymann ganharia projeção no Rio de Janeiro e em São Paulo. Viriam ainda peças como (1967), Se (1978) e Treze (1979).
 
"Ele era muito irônico e isso funciona muito bem numa peça de teatro. Do ponto de vista de divertir e de ser uma crônica de costumes do Brasil daquela época, suas peças eram referências", avalia o professor e crítico de teatro do Jornal do Comércio, Antonio Hohlfeldt. Para ele, o melhor trabalho de Jockymann é a inédita Spiros Stragos, de 1977, premiada pelo antigo Serviço Nacional de Teatro. "Era uma peça da melhor qualidade que fazia uma paródia do [empresário] Aristóteles Onassis e uma emulação de uma tragédia grega", analisa.
 
Na televisão, também envergaria pelas comédias com foco na classe média. "Em suas histórias, apresentava pessoas trabalhadoras, que lutam para viver e que gostariam de ter melhores condições de vida", aponta o jornalista e pesquisador Fábio Costa, autor de Novela: a obra aberta e seus problemas (Giostri, 2016). O primeiro êxito veio em 1970, com A Gordinha, na TV Tupi, com Nicette Bruno como a protagonista-título.
 
Sua novela mais reconhecida seria fruto da desorganização da Tupi. Em 1974, Ivani Ribeiro escrevia as primeiras semanas de O Machão, às 20h30min, quando a emissora a convocou para elaborar uma novela para as 19h. Só que Ivani já supervisionava outra novela, Os Inocentes, às 20h. Não seria possível uma mesma pessoa cuidar de três novelas. E lá foi ela escrever A Barba Azul para as 19h. Mas o que fazer com O Machão, que estava começando? Convoca-se Jockymann, que assumiu a trama no capítulo 43. Descasou personagens, mexeu em tudo e deu ritmo de seriado à novela.
 
Perto do fim, Antônio Fagundes, que interpretava o protagonista, assinou um contrato com a TV Globo e deixou a emissora. Mas não foi problema, Jockymann deu um jeito e segurou as pontas. O Machão ficou um ano e meio no ar, com boa repercussão. Ainda seria convidado para trabalhar na Globo em pelo menos três oportunidades e recusou todas. Na última, ajudaria em O Cravo e a Rosa, livre adaptação de O Machão, em 2000. "A Globo queria que ele fosse consultor, mas ele só aceitaria se fosse ele o autor, para refazer", conta a esposa Simone.
 
Jockymann gostava das novelas, mas a necessidade de colocar capítulos diários no ar o angustiava. "Ele se sentia muito pressionado. Escrevia uma novela inteira sozinho, sem poder errar, porque ele escrevia com papel carbono atrás para ter uma cópia. Assim que pôde, ele largou", diz a filha Luelyn.

Política: maconhódromo e eleição para deputado

Jornalista e escritor com a filha Luelyn, no começo da década de 1970
/Arquivo pessoal Sérgio Jockymann/Divulgação/JC

 
A política entraria pra valer na vida de Jockymann a partir dos anos 1990. Mas, o que pouca gente sabe é que antes disso, ele teve uma primeira experiência eleitoral nos anos 1950. Filiado ao antigo PSB, lançou-se candidato a vereador nas eleições de 1955 e recebeu apenas 96 votos. Abandonou a política em seguida.
 
A política partidária voltaria à vida de Jockymann no fim dos anos 1980. Convidado por Onyx Lorenzoni, disputou a prefeitura de Porto Alegre pelo PL, em 1988. Queria fazer uma campanha de protesto, tentando vender a ideia de que era diferente dos demais candidatos. No bolso, talvez fosse mesmo, pois não apresentou patrimônio algum na declaração de bens ao TSE.
 
A falta de recursos e de estrutura partidária eram assumidas pelo candidato no horário eleitoral, que dizia "Aqui fala Sergio Jockymann, candidato do Partido Liberal a um milagre". Como não tinha recursos para a gravação, ia pessoalmente às emissoras apresentar o programa ao vivo, munido apenas de um gravador tocando sua trilha.
 
Jockymann não levava a empreitada muito a sério. Horrorizou uma plateia de empresários ao propor a construção de um "maconhódromo", onde os jovens, entre outras atividades, poderiam consumir drogas tranquilamente. Na metade da campanha, se demitiu ao vivo da Rádio Pampa, por suposta pressão política da emissora, fato desmentido pela própria direção da empresa. O milagre não veio, mas seu desempenho foi acima do esperado, obtendo 7% dos votos.
 
Em 1990, concorreu a deputado estadual pelo PDT e foi eleito com 14,5 mil votos, muitos deles de professores da rede estadual. "Ele viu que não ia conseguir mudar nada e deixou a causa deles. Estava meio que brincando na política", afirma a filha Luelyn. Jockymann tentou a reeleição em 1994, agora no PMDB, mas fez pouco mais de 5 mil votos, insuficientes para um novo mandato.

LPM/Garatuja / Divulgação / JC