sábado, 31 de maio de 2014

Momento da Cultura Regional 20! Escolhido o patrono dos Festejos Farroupilhas!



Benjamim Feltrin Netto


 Benjamim Feltrin Netto, nasceu em 21 de dezembro de 1937, tendo como berço as onduladas coxilhas de Cruz Alta, exatamente no Passo do Inglês, interior de Cruz Alta, hoje pertencente à cidade de Pejuçara. Seus pais, Pedro e Guilhermina Feltrin, de origem camponesa, deram ao filho excelente formação de caráter, forjado nos galpões, ungida pela seiva do mate, no calor das brasas do angico, misturada com o aroma da fumaça de cerne de cambará.

Repetindo o nome do avô, Benjamim, nascido na Itália, colono pioneiro como todos os que vieram sonhando com a “América”, o guri foi criado no interior de Palmeira das Missões, na famosa fazenda da Ramada, do Coronel Valdomiro Dutra, onde seu pai e o tio foram capatazes, posteiros. Criou-se praticamente no lombo do cavalo, só largando a prática quando veio servir ao exército, de volta a Cruz Alta. O que sabe de coisa campeira, montar, laçar, é dessa época, na vastidão das 96 quadras de sesmaria (cada quadra tem 87 hectares) da Ramada. E até hoje, quando surge a oportunidade, ele gosta de montar a cavalo e rebolear o laço. Como fez em Coxim, Mato Grosso, na homenagem recebida, na abertura do 5º Rodeio dos Campeões e em outros tantos lugares por esse Brasil a fora.

No ponto de assentar de praça, ingressou no exército nacional, onde permaneceu até sua aposentadoria, durante sua carreira militar teve um companheiro inseparável. O clarim, executando com maestria as ordens à tropa. As notas de seu clarim se misturavam com as melodias das canções Rio-grandenses. Na sua importância se figurava a personalidade do gaúcho, que conheceu todos os macetes campeiros na lida e no aconchego dos galpões, aprimorou o perfil da sua personalidade na disciplina militar. Feltrin ficou no exército até 1984, quando passou para a reserva como 2º Tenente - clarim.

Ai está sua especialidade, era a mesma de Nico Ribeiro, o lendário clarim de Bento Gonçalves, o qual segundo a tradição (e está no poema, premiado de Guilherme Schultz filho), ano após ano, por muito tempo depois da morte do grande comandante, ainda ia ao Cemitério do Cordeiro, encostas do Camaquã, tocava o “Silêncio” - in memoriam - do Chefe e amigo morto. Feltrin conserva até hoje o mesmo amor pelo clarim que fez vibrar em alvoradas, silêncios e cargas. Incorporou o clarim à sua personalidade, quando Presidente do MTG, acordava os companheiros a toque deste.

Sua esposa Neli, a grande companheira, lhe deu três filhos: Rose Mari, Francisco e Ana Claudia e três netos Vanessa, Pedro Henrique e Thiago.

Feltrin iniciou sua trajetória tradicionalista, no CTG 20 de setembro, em Santo Ângelo, no ano de 1961. Em suas andanças funcionais, no exército, passou por Santa Maria onde esteve entreverado no CPF Piá do Sul, inclusive, ajudando com próprias mãos na construção da sede da entidade, onde é um dos fundadores, onde foi sota-capataz e posteiro da invernada cultural.

Em Santana do Livramento, no CTG Fronteira Aberta, dirigiu o departamento cultural e artístico em duas gestões, de onde foi levado para à Coordenadoria da 18ª RT, tendo permanecido como Coordenador por quatro mandatos, até  ingressar no Conselho Diretor do MTG. Em Pelotas, em janeiro de 1992, foi eleito foi vice-presidente de eventos, no período de 1992/93. Teve como responsabilidade, o antigo FEGART, onde já era Coordenador do acampamento, do famoso festival de Farroupilha. Em 1992 foi chamado, publicamente, por José Roberto Diniz de Moraes, de “Leão do FEGART” apelido que pegou bem, combinando com o tipo de personalidade de Feltrin, atacando sempre de frente os problemas. Finalmente, Feltrin, no 34ª Congresso, em Esteio, chegou à Presidência do MTG, por dois mandatos, 1994/1995 e foi o primeiro Presidente vindo da fronteira do Rio Grande do Sul.

Por mais de três décadas Feltrin vem prestando serviços aos MTG. Sua energia e austeridade são marcos fundamentais de sua atuação, procurando fazer justiça. Se foi severo em alguns momentos, também foi tolerante e soube perdoar, tendo por tudo isso o respeito e a admiração dos seus companheiros de causa. Feltrin é conselheiro Benemérito e Honorário do MTG, atualmente pertence ao conselho de Vaqueanos da entidade. 

Fonte! Chasque e retrato de Rogério Bastos  - Comunicação digital MTG 

Levamos este chasque para o programa Gritos do Quero Quero da Rádio Acácia FM, na edição do dia 31 de maio de 2014.

sábado, 24 de maio de 2014

Momento da Cultura Regional 19! YASMIN



         
Presidente Savaris
A cada mês de maio o Movimento Tradicionalista Gaúcho realiza a etapa estadual da Ciranda Cultural de Prendas. A cada mês de maio o Movimento se renova e se enriquece com a participação das meninas que concorrem, das famílias que acompanham a ciranda, das regiões tradicionalistas que se fazer representar e, especialmente, pelo cumprimento de um de seus objetivos: proporcionar espaços de crescimento cultural e pessoal aos tradicionalistas gaúchos.


          A 44ª Ciranda foi encerrada com pleno sucesso. Santa Maria nos recebeu de cara alegre, como é do jeito do gaúcho. O clube Dores nos deu um exemplo de dinamismo e parceria: estávamos em casa naquela magnífica estrutura. As provas foram realizadas na maior tranquilidade, sem brigas, com respeito a todos, garantindo que todas as prendas pudessem se apresentar nas melhores condições possíveis.

          Tivemos em Santa Maria a presença de quase 2.000 pessoas para participar da ciranda e a TV Tradição oportunizou a que outras 500 mil pessoas assistissem as provas pela internet.

          As nove prendas que conquistaram os títulos permanecerão por um ano como nossas representantes, com os encargos naturais de ser “prenda estadual”. Cada uma delas se preparou para essa nova situação e, certamente fará o melhor que puder para orgulhar sua família, sua entidade tradicionalista, sua região e o próprio MTG. As nós outros cabe auxiliá-las e ampará-las nos momentos de dificuldades e aplaudi-las permanentemente.

          As prendas que não alcançaram colocação para serem destacadas com o título de “prenda estadual”, foram igualmente vencedoras, independentemente da classificação. Elas estavam lá fazendo o que desejavam e sendo felizes.

          Mas, desta ciranda, vou carregar comigo um episódio que por certo passou despercebido da maioria dos tradicionalistas que se encontravam no baile de encerramento. Eu estava na beira da pista de dança, apreciando os jovens que dançavam e tentando imaginar o que cada um deles estava pensando naquele momento. Para mim era um momento especial porque ali estavam tradicionalistas de todas as idades, bonitos, bem arrumados, alegres, animados e convivendo em harmonia. De repente estava na minha frente uma menina, uma prendinha.

          “Eu sou a Yasmim, de Três de Maio. O senhor dança uma música comigo?” Precisei me curvar para ouvi-la. Imagino que ela tenha uns 10 anos de idade. Confesso que fiquei alguns segundos, entre surpreso e maravilhado. Dançamos uma vaneira. Ela dança bem. Durante a dança lembrei do tempo que minha filha tinha aquela idade e me convidava pra dançar nos bailes e isso me fez muito bem.

          Depois de todo o trabalho de preparação e de dois dias intensos de execução da ciranda de prendas, eu não poderia receber um presente melhor do que ter sido convidado para dançar pela pequena Yasmim (acho que é essa a grafia correta). Parece-me que esse episódio sintetiza a ideologia do próprio Movimento. São momentos como esse que me fazem estar onde estou e fazer o que faço com o maior cuidado e orgulho. Obrigado Yasmim!

         Fonte! Chasque do presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho gestão 2014, Sr. Manoelito Carlos Savaris, publicado no sítio do MTG. Abra as porteiras clicando em www./mtg-rs.blogspot.com.br

         Fonte do retrato: TV Tradição. 

         Opinião. Dance com as crianças todas as vezes que elas te convidarem para tal. Faça isso com teus filhos pequenos. Se eles não te convidarem, convide-os para dançar. Leve-os contigo para o fandango, pois dançar refresca a alma e a aura do vivente, além de ser uma das melhores lidas que hoje chamam de ginástica, onde a dança, segundo os entendidos somente perde para as atividades, os exercícios feitos na água. E aproveite a vida  nesta terra que chamamos de mundo. Valdemar Engroff.
        
         Levamos este chasque (junto com a nossa opinião) para o Programa Gritos do Quero Quero da Rádio Acácia FM, edição do dia 24 de maio de 2014

sábado, 17 de maio de 2014

Momento da Cultura Regional 18! Tadeu Martins o poeta homenageado da 5ª Tertúlia Maçônica



A partir de sua 2ª edição a Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula, como forma de reverenciar obreiros da Arte Real que labutam no nativismo rio-grandense, resolveu homenagear um artista maçom. Já tiveram esta honraria nomes como Alcy de Vargas Cheuiche, Telmo de Lima Freitas e Paulinho Pires. Nesta sua 5ª edição, que acontecerá no dia 30 de agosto, o festival vai reverenciar outro grande nome da cultura de nosso estado. Carlos Tadeu Andreatta Martins.

Nascido no Rincão da Timbaúva em São Francisco de Assis/RS, o artista plástico, escritor, desenhista e compositor Tadeu Martins, 61 anos, é casado com Rose Marí Gonçalez Martins e pai de Elisandra, Igor Ramiro, Indira e Glauber. Tadeu é membro da Academia Santo-Angelense de Letras, onde ocupa a cadeira número 21, cujo patrono é Aureliano de Figueiredo Pinto. Além disso, integra a Estância da Poesia Crioula do Rio Grande do Sul.

Como escritor possui nove livros publicados, entre desenhos, poesias e crônicas, além de participar de todas as edições da Antologia dos Escritores de Santo Ângelo. Entre as suas obras, “Tarcas de Estância Antiga”, “Sonetos”, “Exemplário Gaúcho”, “Campeiragem Caricata”, “De Mi Flor”, “Haveres da Pedra”, “Cantata pra Boi Dormir”, “Narrativa de um Bom Dia” e “Jura”. “Muitos amigos dizem que sou um contador de estórias poéticas, aguardem o livro que vou terminar com o Chiquinho Aripuca. Ainda são cinco livros que possuo para editar”, define Tadeu.

Como artista plástico realizou muitas exposições individuais e coletivas pelo Brasil e no Exterior. Vencedor do Cartaz Troféu Martin Fierro/DF. Destaque em Artes Plásticas no Troféu Missões; destaque da década de 1980 em Artes Troféu Clave de Sol; premiado com o Galo de Ouro de Gramado/RS, em artes Congresso Latino-americano de Publicidade; 1º lugar no 10º Festival Nacional de Teatro Cenário; destaque em Arte no RS em 1994; pintou o Acervo Tupambaé (exposto na prefeitura de Santo Ângelo); escultor do Busto de Cenair Maicá, exposto no Hall do Teatro Municipal Antônio Sepp, 1999; escultor dos seguintes monumentos: Tio Bilia, localizado na rótula Tio Bilia, 1999; do Milho, localizado no trevo de acesso à Fenamilho; Delta Luminoso, no acesso à Santo Ângelo, 1998 e Pórtico de São Miguel das Missões, 2002. Laureado como destaque em Artes pelo RS com o troféu “Estado em Arte 2003”. Possui decorações em diversas cidades gaúchas.

Como ilustrador, deixou ilustrações em grande número de livros de autores gaúchos e também ilustrações em Revistas da Argentina e de Portugal; destaca ainda como vencedor de inúmeros Festivais de Música destacando duas Calhandras de Ouro (prêmio máximo da música nativa do RS 1999/2007); jurado em outros tantos Festivais de Música do RS e de Santa Catarina e jurado também em Salões de Artes no RS. Criação do Papai Noel Missioneiro, Santo Ângelo 2005. Monumento ao imigrante, Salvador das Missões 2006; Baralho de truco gaúcho, 2006; CD de música nativa “Por detrás da tarde”, 2006; Sua obra foi tema do desfile estudantil de escolas municipais de Santo Ângelo, 2006; Revitalização total do Centro Histórico da Praça Pinheiro Machado - Santo Ângelo, 2006 a 2008. Jurado da 30ª Coxilha Nativista (Coxilha Histórica de Cruz Alta).

Como diz o mestre Tadeu Martins, “o importante na vida é sempre ter uma obra por realizar. A vida é a rosca sem fim. Às vezes uma palavra ouvida nos dá um poema. Por isso que o escritor tem que andar, refazendo alguns cumprimentos e ouvindo. Não que seja o mais importante, porque até uma sombra de folha pode nos levar a um invento. E quando a inspiração não vem? Aí tiramos uma folga!”.

Fonte: Blog do Léo Ribeiro. Abra as porteiras clicando em www.blogdoleoribeiro.blogspot.com.

Levamos este chasque para o programa Gritos do Quero Quero, edição do dia 17 de maio de 2014. 

sábado, 10 de maio de 2014

Momento da Cultura Regional 17! Pelo Dia do Campo!



Certa feita nos festivais nativistas gaúchos o cantor e compositor João de Almeida Neto concorreu com uma obra de sua autoria intitulada Nova Trilha que ao final diz “Um dia deixei o campo, porque o campo me deixou...”

Correta fora a declaração do artista, pois é exatamente isso que as políticas públicas têm providenciado para o campo, fomento ao abandono, instigando invasões, como se os que lá estão, vivem e gostam, tivessem sidos plantados por algum plano governamental.

Esqueceram-se os da politicagem que os campeiros que ainda estão no campo, lá ficaram por talento, por missão divina, por herança, por abnegação para tratarem e colherem da terra seus frutos ao seu sustento e aos famintos das cidades. Não é visionária as administrações públicas que olham para o campo e seus campeiros com desdém.

A tal reforma agrária tão propalada não saiu e nem sairá dos gabinetes, primeiro porque para ser implementada teríamos que ter no poder gente decente, de fibra, de tutano, do bem, assim falta moral pra sua efetivação, em segundo lugar essa história de desalojar os nativos do lugar para implantar gentes estranhas do ninho e mais estranhas ao serviço rural, não se trata de reforma e sim de uma cretina operação ideológica alimentadora de vadios da urbanidade, aproveitadores que não querem nada com o trabalho, que passarão nos pilas qualquer lote no dia seguinte da doação, venderão a terra a outros oportunistas, ferindo de morte o sagrado e constitucional direito da propriedade.

Dia 5 de maio é o Dia do Campo e portando dos campeiros legítimos, que sabem do tempo bombeando as nuvens do céu, do período de plantar e de colher, de entourar e lidar com o gado, do homem rústico que sofre em família pelas goradas safras, que chora quando sacrificam terneiros matrizes, por abigeato, por pestes, por enchentes ou por seca.

Mas apesar de todos os pesares o campo tem engordado a nação, sim as barrigas do povo, das elites e dos cofres públicos, garantindo inclusive há décadas a balança comercial deste país que gasta o que não devia, que vai se endividando gulosamente, colocando no ralo o sangue e o suor da Pátria verde e amarela como os trigais.

A ti homem e mulher campeira, nutrimos e rendemos o maior afeto, desejando a maior felicidade pelo Dia do Campo, por que sem vocês ai haveriam muito mais agonizantes de fome nas cidades do que já temos, e como escreveu o poeta do Jaráu – Luís Menezes: “Se a honra perdura o Rio Grande está salvo, sairá do abandono e grito o índio ecoando no pago dirá novamente que esta terra tem dono!”   

Para pensar: O campo gera a produção fundamental e não primária!

Fonte! Coluna Regionalismo desta semana, por Dorothéo Fagundes de Abreu.

Chasque levado para o Programa Gritos do Quero Quero na edição do dia 10 de maio de 2014. 

sábado, 3 de maio de 2014

Momento da Cultura Regional 16! Um poeta missioneiro sim, e universal!




Os poemas de Jayme Caetano Braun devem ser estudados e lidos para o prazer do espírito
Há uma certa prática na nossa convivência cultural tão destrutiva e vergonhosa quanto preconceituosa, que é a de rotular. "Gauchesco", por exemplo, é rótulo aplicado aos poetas dos movimentos tradicionalistas. Esses movimentos estão cheios de equívocos tanto estéticos quanto ideológicos, mas a verdade é que geraram uma sólida estirpe de poetas e de músicos. O maior deles foi Jayme Caetano Braun. Para a crítica em geral, porém, nunca passou de um poeta gauchesco.

Borges disse num poema famoso que os gaúchos nunca ouviram a palavra gaúcho, ou a ouviram como um insulto. Os letrados de gravata com certeza se referiam ao poeta Jayme Caetano Braun com essa intenção: era um poeta gauchesco.

Essa divisão grosseira pode satisfazer a inteligência de verniz dos comerciais de televisão para erva-mate ou similares, mas é espantoso que tenha merecido o silencioso aval da inteligência estabelecida no corpo da elite cultural rio-grandense. As resenhas sobre a morte do poeta não dão conta de nenhuma láurea acadêmica em vida para Jayme, reconhecendo seu valor como artista. Duvido que tenham pensado em algo semelhante para qualquer autor sob esse rótulo. João Simões Lopes Neto não vale citar, pois morreu antes do rótulo existir como redutor.

Apparício Silva Rillo foi campeão de vendas da Feira do Livro (com uma série de obras menores, é verdade), mas sua bela poesia e seus contos impecáveis nunca foram levados em consideração para uma homenagem na feira que ele tanto ajudou a tornar ainda mais gaúcha.

Barbosa Lessa ainda escreve e publica com finura e erudição, mas é gauchesco. E Vargas Netto? Glaucus Saraiva? Tantos e tantos esquecidos burramente sob o rótulo de gauchesco.

Não acho que Jayme Caetano Braun fosse um poeta gauchesco. Era um poeta do Rio Grande do Sul, um poeta que, ao descobrir seu dom, adequou-o na criação de uma linguagem singular, para trata de um tema singular: sua terra e sua gente.
Cenair Maicá, Chaloy Jara, Jayme Caetano Braun e Pedro Ortaça (Argentina Posadas)

Dentro do opulento unvierso lingüístico da obra de Jayme Caetano Braun, existem alguns versos simples que, me parece, definem bem sua poesia e sua personalidade: "Brinquei com gado de osso / Na sombra do velho umbu / e assim volteando o amargo / e o churrasco meio cru / Fui crescendo e me orgulhando / De ter nascido um chiru!"

Orgulho é uma palavra definidora. Mas esse orgulho, atentem, só foi aparecendo à medida que o poeta crescia, isto é, à medida que lançava o olhar ao mundo que o cercava e começava a entendê-lo. à medida que o rio, a fronteira, as Missões, a pedra, o cavalo, o umbu, o pampa foram tomando um sentido. À medida que descobria o passado e percebia lá as marcas desta nossa civilização meridional. Então ele colocou seu talento para cantar essas coisa tão próximas: "Meu canto é rio / meu canto é sol / meu canto é vento / Eu tenho pátria / Eu tenho berço / Eu tenho glória / Eu só não tenho terra própria / porque a história / que escrevi / me deserdou no testamento!"

Parece que fala dos sem-terra e fala mesmo. Cantor da beleza, do amor e do orgulho de ser gaúcho, Jayme Caetano Braun nunca foi um laudatório vazio e pomposo. Seu verso incluía o deserdado e espoliado, que são a maioria. Os discos e CDs que deixou afirmarm uma voz densa e persuasiva, forte e delicada, que saboreia cada palavra como um sorvo de chimarrão, para arriscar uma imagem do seu universo poético.

É de esperar que, no milênio que se aproxima, os rótulos sejam derrubados e o payador missioneiro seja reconhecido apenas como o que ele é: um poeta. Para ser estudado nos vestibulares, festejado nas feiras e lido para o prazer do espírito.

Fonte! Chasque de Tabajara Ruas - Escritor, jornalista e roteirista de cinema e televisão, autor de Netto Perde sua Alma (Mercado Aberto, 1995), publicado no sítio Prosa Galponeira. Abra as porteiras clicando em www.prosagalponeira.blogspot.com

Este chasque foi levado para o Programa Gritos do Quero Quero da Rádio Acácia FM, na edição do dia 03 de maio de 2014.