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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Documentário “Antes que a casa caia” será lançado dia 13 no Capitólio

No dia 13 de junho, às 19h, na Cinemateca Capitólio, vai ser lançado o vídeo documentário “Antes que a casa caia”, do jornalista Luis Henrique Silveira.

A ideia de fazer o documentário surgiu em um grupo de whatsapp, de ex-moradores da Casa Estudantil Universitária de Porto Alegre (Ceupa). Luis começou a fazer curso de audiovisual e teve a ideia de produzi-lo. A concepção começou em outubro, com a escrita do projeto e as gravações em novembro de 2021.

Luis conta que ficou muito surpreso com os depoimentos, com o sentimento e amor que as pessoas têm pela Casa. Ele sempre quis fazer um doc sobre a relação democrática interna da Ceupa. “Teve muito mais do que eu imaginava. De como foi importante a Casa para todos. Também chamou a atenção do tempo longo que as pessoas passaram longe da instituição”, diz ele. 

Sobre a importância de ter morado na Ceupa, Luis diz que a Casa mudou a sua vida completamente. O jornalista morou na Ceupa de 1985 a 1988. “Eu era uma pessoa negra que morava em uma vila de Porto Alegre. Não tinha uma visão e dimensão maior sobre as coisas. Não tinha ideia da existência da burguesia, não sabia como era uma universidade”, revela.

Sua mãe era faxineira e seu pai motorista de ônibus. Nunca tinha passado pela sua cabeça entrar na universidade. Mas por influência de sua irmã começou a ler todos os livros que tinha em casa e se motivou a aprender mais. 

Começou a fazer assessoria de imprensa para a Ceupa. Foi na Zero Hora, conseguiu colocar nota no Correio do Povo também. Fazia serigrafia, cartazes, jornal mural, com contos e poesias, entre outras coisas. Sugeriu fazer um jornal impresso, distribuído para as pessoas da Casa. Nessa época ainda estudava farmácia. Datilografavam as matérias e notinhas. Montavam o jornal. Luis conta que chegou a ficar dois dias e duas noites montando o jornal, chamado Saconzinho.
Foram na Assembleia Legislativa fazer cópias do jornal. Fizeram 300 exemplares e distribuíram fora da Casa. 

“Era uma época de ebulição de várias efervescências sociais, de reforma agrária, constituinte, plano cruzado, essas questões todas eram abordadas no Saconzinho”, explica Luis. 

Ele, como vários outros moradores, casou-se com uma ceupana. Começaram a namorar na Casa 1. Foi o primeiro amor da sua vida e à primeira vista, da sua parte.

Diferenças e semelhanças

Algumas diferenças que percebeu entre o tempo que morou e agora, durante as gravações e os relatos dos ex-moradores. Hoje tem garagem para as bicicletas. Outra diferença é a decadência da Casa 1, que era bem mais conservada. O mural continua nas três casas. O nome da instituição mudou, Luis acha um avanço nesse sentido. Antes chamava-se Centro Evangélico Universitário de Porto Alegre.

A organização continua mais ou menos a mesma. Não mudou muita coisa. O salão social virou cômodo, pensa que deveria continuar.

A Casa se fechou, era extremamente aberta, porque a conjuntura era diferente. Os portões eram baixos, a Casa era quase aberta. Não tinha roubos e assaltos. Não existiam trancas nos armários, banheiros, quartos...

Conforme a ex-moradora Necki, a Ceupa é uma escola de vida integral, de tolerância, de limites, aprendizado, solidariedade, compartilhamento de espaços coletivos, generosidade, mudanças, transformações, oportunidade, vivência e prática para além da faculdade.

Maurilia diz que a Ceupa funciona bem melhor que muitas organizações políticas. Nunca viu uma sociedade tão organizada como a Casa. “Aqui não existia o desigual”, conta. 

Sergio destaca a resolução dos problemas cotidianos na prática, mais do que aprendeu no curso de sociologia.

Para os interessados, há diversas formas de contribuir com a entidade. Tem o programa Tampinha Legal, onde arrecadam tampinhas de garrafas e entregam na Instituição; também podem contribuir via Pix para 92.979.293/0001-19.

Chasque (matéria) de Juliana Leal - Jornalista

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A Ceupa foi minha segunda casa de moradia estudantil. Tive minha primeira experiência na CEUL - Casa do Estdudante Universitário Leopoldense (São Leopoldo), localizada onde hoje é a Câmara Municipal de Vereadores. A entidade teve que sair, pois o prédio estava em péssimas condições.... Posteriormente a CEUL conseguiu uma nova área e construir uma nova sede perto da UNISINOS. Não cheguei a participar desta mudança.

Me mudei para Porto Alegre onde fui morar num "pensionato" em 1983. Aí, no começo de 1984 surgiu a oportunidade de morar novamente em uma instituição de moradia estudantil. Me inscrevi na CEUPA e fui morador da Casa 3 até meados de 1986. 

Lembrando que a Casa 3 era feminina e a partir de 1984 ela se tornou mista. Eu e mais quatro "guris" fomos ali residir por um período de experiência.... Todos foram morar no então "favelão" (quarto grande que fica no segundo piso)....

Foi na CEUPA que conheci uma ilustre visitante que vinha visitar seus irmãos. Era a Marilene Centenaro. Seus irmãos são o Jaimes (o Casca - na época foi o presidente) e a Nilse (posteriormente foi vice-presidente).

Em seguida deu namoro..... casamos em 28 de janeiro de 1989 e moramos em Alvorada desde este ano... Temos duas filhas - a Bibiane e a Ana Paula e uma neta, a Martina (filha da Bibiane).

A Ceupa foi um grande aprendizado que levamos para a nossa vida. E uma das melhores coisas que aconteceu, com o objetivo de agregar os ceupanos de ontem com os de hoje, foi este grupo de waths e todos estão imbuídos de fazer o que está ao seu alcance para levar adiante este refrão "antes que a casa caia" .... pretendemos reencontrar muitos ceupanos neste dia 13 de junho na Cinemateca Capitólio.... 

Um grande abraço a todos os ceupanos de ontem e de hoje, de todos os pagos, de todas as pátrias e de todas as querências!

Valdemar Engroff - Vavá 

domingo, 7 de março de 2021

Documentário ‘Rock Alvoradense – Anos 80/90’ inicia suas filmagens

Projeto foi aprovado pela Lei Aldir Blanc e visa resgatar a história do município

"Entre as histórias que serão contadas está a apresentação da banda Ezfinge de Cristhal na festa de 25 anos de Alvorada" (Foto: Divulgação)

Em meados de fevereiro, Carlos Weiss deu início as filmagens do documentário ‘Rock Alvoradense – Anos 80/90’. O projeto está sendo financiado através da Lei Aldir Blanc e da Prefeitura de Alvorada e visa fazer um resgate da cena rockeira que Alvorada teve nas duas últimas décadas do século passado. Para isso, diversos músicos devem ser entrevistados nas próximas semanas.

Já foram entrevistados Ray Abreu (Banda Rappeyze), Eder Baptista (4HP), Rudi Freitas (Watts por Segundo e Gatos do Porto) e Roberto Camparra (Pedra Angular, 4HP, Rappeyze e Hits Cover). Além disso, outros músicos devem ser entrevistados. O projeto tem produção de Carlos Weiss e as imagens e áudio são de responsabilidade de Saul Jones.

Todas essas bandas fizeram sua história na cidade entre os anos 80 e 90. Weiss explica os motivos de ter escolhido essas décadas. “Esse foi um período efervescente da cultura local e do rock gaúcho. Nesse período foram diversos os músicos que vieram na cidade para se apresentar ou prestar serviços. A relação com o rock do Bomfim era muito forte”, salienta o alvoradense.

Além disso, o músico acredita que fazer esse resgate histórico de um período onde não havia internet é de suma importância para as gerações futuras. “Povo que não tem memória não sabe o que acontece na cidade. Muitos inclusive acham que a cultura na cidade começou com a Feira do Livro, no início dos anos 2000. Só que a cultura já existia muito antes disso”, enfatiza Weiss.

Contudo, não é só de história que o documentário se sustenta. Até porque, conforme o próprio idealizador do projeto explica, foi nesse período que empresas da cidade iniciaram seus trabalhos ou, pelo menos, seu planejamento. Weiss explica pelo menos três exemplos desse: a Áudio Laser, a Vibra Produções e o bar Garage 80’. Todos esses começaram suas trajetórias nas décadas passadas.

Segundo o cantor, sua produtora existe oficialmente desde 1989 e a ideia de produzir esse documentário já era antiga. Agora que o projeto está em andamento, o saudosismo também voltou. “Nos dois primeiros dias de gravação a gente já se lembrou de histórias incríveis e estou podendo reencontrar amigos daquela época. Estamos fazendo um resgate incrível do rock alvoradense dos anos 80 e 90”, confessa o alvoradense.

Para o futuro, além de lançar o documentário – sem data anunciada – o músico já projeta novos projetos envolvendo a história e a música. “Esse projeto é um divisor de águas. Nós estamos resgatando a história cultural da cidade e isso abrirá caminhos para novos projetos. Inclusive nós queremos falar, em um outro projeto, sobre a música da cidade a partir dos anos 2000”, finaliza Weiss. 

Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas do Jornal A Semana de Alvorada (RS), na edição do dia 05 de março de 2021. Também nos potreiros da internet http://www.jornalasemana.net